As comparações são inevitáveis: Afinal, quem é melhor? O Homem-Aranha de Sam Raime ou o novo Aracnídeo dirigido pelo jovem diretor de videoclipes Marc Webb? Para não cometermos nenhuma injustiça com os dois filmes, vamos analisá-los tecnicamente nos seus principais aspectos.
Maguire ou Garfield?
Nunca escondi que o Peter Parker de Tobey Maguire me parecesse muito convincente. Acho que os roteiristas exageram quando insistiram em colocar o personagem em situações ridículas e desmoralizantes, mesmo após a sua transformação no Homem-Aranha. As histórias do Aranha nas mãos de Stan Lee, seu criador, davam a entender que o jovem estudante era o alvo preferido dos colegas de escola para praticarem bullyng, somente até o sobrinho de May Parker ser picado pela aranha radioativa. Depois, me digam, como alguém conseguiria acertá-lo com toda aquela agilidade para desviar-se de balas?
Então, esse novo Parker nos mostra como realmente um adolescente se sairia após adquirir os reflexos de uma aranha (às vezes, exagerando. Não esqueça que com Grandes Poderes, também vem Grandes Responsabilidades). Por isso, o franzino Peter bota pra ver o outro lado assim que descobre que consegue levantar um carro com as mãos. O ator Andrew Garfield está perfeito na pele do jovem Peter, dosando nas medidas certas a excentricidade peculiar dos nerds e a genialidade do inventor. Outro ponto imperdoável do primeiro Homem-Aranha, foi ter feito as teias saírem de dentro do organismo de Peter (arghh!), rasgando quase meio século de lenda, quando a ideia original concebida por Stan era de que realmente as teias tinha sido resultado de uma invenção química; nas revistas, do próprio Peter, no filme, das indústrias Oscorpo (por isso, o novo longa não conseguiu fechar o dez, neste quesito).O segundo ponto que gostaria de destacar é a origem do herói; acredito que no primeiro filme Sam Raime preocupou-se mais em nos dar uma visão do acidente que levou Peter a se tornar o personagem preferido de nove entre dez apreciadores de histórias em quadrinhos. Os motivos que o levaram a ser o escalador de paredes também me pareceram mais consistentes no primeiro filme do que nesta nova adaptação, quando Marc Webb dar a ideia de querer colocar logo a roupa vermelha carregada de teias no jovem estudante e vê-lo soltar sopapos nos bandidos da cidade. A origem do Homem-Aranha de 2002 foi bem mais arrebatadora e comovente do que esta nova película, portanto, temos um empate até agora.
As meninas de Peter: Mary Jane, quando começa a aparecer nas primeiras histórias em quadrinhos do Homem-Aranha, é o tipo de mulher que nunca daria bola para o desprovido de grana e futuro fotógrafo do Clarim. Ela passa a ideia de ser aquele tipo de mulher inalcançável por qualquer mortal, linda e independente e, mesmo que ela faça a cabeça de qualquer marmanjo (e nisto se inclui Peter Parker) o jovem não demonstra pretensões de envolver-se amorosamente com ela, pois seu coração já está ligado ao de Gwen Stacy, seu primeiro e verdadeiro amor. Os fãs do Homem-Aranha nunca perdoaram os artistas Gerry Conway e Gil Kane, pois foram estes famigerados que levaram embora dos quadrinhos a figura angelical da fantástica loira, fazendo com que os números # 121 e # 122 da Amazing Spider-Man arrancassem lágrimas de seus leitores e colocassem um marco inicial nas histórias em quadrinhos, como quem dizia: pois é pessoal, depois dessa, vocês não podem cochilar, pois, assim como no mundo real, qualquer coisa terrível pode acontecer.Para qualquer fã do Aranha, a sua namorada sempre será a inesquecível Gwen, pois aquela história nos deixou com a sensação de que com ela, tudo daria certo, mas que pela intervenção do odiado Norman Osborn, eles foram violentamente privados de desfrutar uma vida inteiramente a dois, dividindo sonhos e frustrações, alegrias e tristezas. Ela foi seu amor da juventude, de uma época inocente e sincera, de uma época que nunca mais voltaria atrás. Inclusive, para que você que não teve ainda a oportunidade de ler essas histórias referidas agorinha, saiba que todas aquelas peripécias envolvendo a Mary Jane no primeiro longa no alto da ponte do Brooklin, acontecerem na verdade com a Gwen, só que, nos quadrinhos, a filha do Capitão Stacy não teve a mesma sorte da ruiva interpretada por Kirsten Dunst.
Os vilões: É complicado fazermos esta avaliação, levando-se em conta que Sam Raime produziu uma trilogia enquanto que o Marc agora que começou. Mas, se compararmos o Lagarto com o Dr. Octopus (o melhor vilão dos filmes anteriores), creio que devemos ser sinceros e não cairmos no pecado de todo brasileiro diante das urnas: memória fraca. Alfred Molina nos apresentou um Dr. Octopus digno de aplausos. Suas cenas com os tentáculos em movimento (retirando o chapéu enquanto toma um drink, contando dinheiro e acendendo um charuto) são irrepreensíveis, é por isso, mas não tão somente que o Homem-Aranha 2 continuava imbatível como um dos melhores filmes adaptados dos quadrinhos de todos os tempos.
O lagarto de Rhys Ifans é um bom vilão, mas creio não estar sendo ingrato quando digo que não passa disso. A sua caracterização também não ajuda muito o ator galês, lembrando bem mais o Iguana (um outro inimigo do Aranha) do que propriamente o outro eu do Dr. Connors. Novamente, empatamos até aqui em 2 x 2.Os Efeitos Especiais: Incrível o que se pode fazer em dez anos de cinema em matéria de efeitos especiais. As cenas de ação do novo Homem-Aranha nos dão a sensação de que realmente existe alguém se balançando entre os prédios, diferente da maioria das tomadas dos outros anteriores quando em algumas cenas percebia-se claramente o herói digitalizado e com movimentos (hoje) um tanto quanto artificiais. As cenas de luta são impagáveis, com destaque especial para o confronto do Aranha com o Lagarto na Biblioteca da Universidade (aproveite também essa cena e veja o responsável por você está ali, no cinema, Stan Lee). Esse quesito é uma tremenda covardia, pois a tecnologia estará sempre a favor das novas produções, seria mais ou menos como comparar o primeiro King Kong com o último dirigido por Peter Jackson. Resolvemos deixar empatados e não colocar nos autos este embate.
O filme: O espetacular Homem-Aranha é melhor do que o terceiro da série do Sam Raime, é tão bom quanto o primeiro da trilogia, mas, perde para o segundo. Com certeza vale o ingresso, o Aranha está hilário, assim como ele tem que ser. As cenas de ação foram muito bem construídas e o roteiro, apesar de não apresentar nada espetacular, como o nome do filme sugere, convence alguns fãs, mas, em uma avaliação desprovida de qualquer sentimento de saudosismo ou partidarismo em relação ao antigo diretor, eu ainda ficaria com o Homem-Aranha 2 como a melhor adaptação já feita do herói mais emblemático da Marvel.






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