quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Espetacular Remake de Homem-Aranha é quase Espetacular.



   As comparações são inevitáveis: Afinal, quem é melhor? O Homem-Aranha de Sam Raime ou o novo Aracnídeo dirigido pelo jovem diretor de videoclipes Marc Webb? Para não cometermos nenhuma injustiça com os dois filmes, vamos analisá-los tecnicamente nos seus principais aspectos.


Maguire ou Garfield?

Nunca escondi que o Peter Parker de Tobey Maguire me parecesse muito convincente. Acho que os roteiristas exageram quando insistiram em colocar o personagem em situações ridículas e desmoralizantes, mesmo após a sua transformação no Homem-Aranha. As histórias do Aranha nas mãos de Stan Lee, seu criador, davam a entender que o jovem estudante era o alvo preferido dos colegas de escola para praticarem bullyng, somente até o sobrinho de May Parker ser picado pela aranha radioativa. Depois, me digam, como alguém conseguiria acertá-lo com toda aquela agilidade para desviar-se de balas?
Então, esse novo Parker nos mostra como realmente um adolescente se sairia após adquirir os reflexos de uma aranha (às vezes, exagerando. Não esqueça que com Grandes Poderes, também vem Grandes Responsabilidades). Por isso, o franzino Peter bota pra ver o outro lado assim que descobre que consegue levantar um carro com as mãos. O ator Andrew Garfield está perfeito na pele do jovem Peter, dosando nas medidas certas a excentricidade peculiar dos nerds e a genialidade do inventor. Outro ponto imperdoável do primeiro Homem-Aranha, foi ter feito as teias saírem de dentro do organismo de Peter (arghh!), rasgando quase meio século de lenda, quando a ideia original concebida por Stan era de que realmente as teias tinha sido resultado de uma invenção química; nas revistas, do próprio Peter, no filme, das indústrias Oscorpo (por isso, o novo longa não conseguiu fechar o dez, neste quesito).
 O segundo ponto que gostaria de destacar é a origem do herói; acredito que no primeiro filme Sam Raime preocupou-se mais em nos dar uma visão do acidente que levou Peter a se tornar o personagem preferido de nove entre dez apreciadores de histórias em quadrinhos. Os motivos que o levaram a ser o escalador de paredes também me pareceram mais consistentes no primeiro filme do que nesta nova adaptação, quando Marc Webb  dar a ideia de querer colocar logo a roupa vermelha carregada de teias no jovem estudante e vê-lo soltar sopapos nos bandidos da cidade. A origem do Homem-Aranha de 2002 foi bem mais arrebatadora e comovente do que esta nova película, portanto, temos um empate até agora.

As meninas de Peter: Mary Jane, quando começa a aparecer nas primeiras histórias em quadrinhos do Homem-Aranha, é o tipo de mulher que nunca daria bola para o desprovido de grana e futuro fotógrafo do Clarim. Ela passa a ideia de ser aquele tipo de mulher inalcançável por qualquer mortal, linda e independente e, mesmo que ela faça a cabeça de qualquer marmanjo (e nisto se inclui Peter Parker) o jovem não demonstra pretensões de envolver-se amorosamente com ela, pois seu coração já está ligado ao de Gwen Stacy, seu primeiro e verdadeiro amor. Os fãs do Homem-Aranha nunca perdoaram os artistas Gerry Conway e Gil Kane, pois foram estes famigerados que levaram embora dos quadrinhos a figura angelical da fantástica loira, fazendo com que os números # 121 e  # 122 da Amazing Spider-Man arrancassem lágrimas de seus leitores e colocassem um marco inicial nas histórias em quadrinhos, como quem dizia: pois é pessoal, depois dessa, vocês não podem cochilar, pois, assim como no mundo real, qualquer coisa terrível pode acontecer.
   Para qualquer fã do Aranha, a sua namorada sempre será a inesquecível Gwen, pois aquela história nos deixou com a sensação de que com ela, tudo daria certo, mas que pela intervenção do odiado Norman Osborn, eles foram violentamente privados de desfrutar uma vida inteiramente a dois, dividindo sonhos e frustrações, alegrias e tristezas. Ela foi seu amor da juventude, de uma época inocente e sincera, de uma época que nunca mais voltaria atrás. Inclusive, para que você que não teve ainda a oportunidade de ler essas histórias referidas agorinha, saiba que todas aquelas peripécias envolvendo a Mary Jane no primeiro longa no alto da ponte do Brooklin, acontecerem na verdade com a Gwen, só que, nos quadrinhos, a filha do Capitão Stacy não teve a mesma sorte da ruiva interpretada por Kirsten Dunst.

Os vilões: É complicado fazermos esta avaliação, levando-se em conta que Sam Raime produziu uma trilogia enquanto que o Marc agora que começou. Mas, se compararmos o Lagarto com o Dr. Octopus (o melhor vilão dos filmes anteriores), creio que devemos ser sinceros e não cairmos no pecado de todo brasileiro diante das urnas: memória fraca. Alfred Molina nos apresentou um Dr. Octopus digno de aplausos. Suas cenas com os tentáculos em movimento (retirando o chapéu enquanto toma um drink, contando dinheiro e acendendo um charuto) são irrepreensíveis, é por isso, mas não tão somente que o Homem-Aranha 2 continuava imbatível como um dos melhores filmes adaptados dos quadrinhos de todos os tempos.
   O lagarto de Rhys Ifans é um bom vilão, mas creio não estar sendo ingrato quando digo que não passa disso. A sua caracterização também não ajuda muito o ator galês, lembrando bem mais o Iguana (um outro inimigo do Aranha) do que propriamente o outro eu do Dr. Connors. Novamente, empatamos até aqui em 2 x 2.

Os Efeitos Especiais:  Incrível o que se pode fazer em dez anos de cinema em matéria de efeitos especiais. As cenas de ação do novo Homem-Aranha nos dão a sensação de que realmente existe alguém se balançando entre os prédios, diferente da maioria das tomadas dos outros anteriores quando em algumas cenas percebia-se claramente o herói digitalizado e com movimentos (hoje) um tanto quanto artificiais. As cenas de luta são impagáveis, com destaque especial para o confronto do Aranha com o Lagarto na Biblioteca da Universidade (aproveite também essa cena e veja o responsável por você está ali, no cinema, Stan Lee). Esse quesito é uma tremenda covardia, pois a tecnologia estará sempre a favor das novas produções, seria mais ou menos como comparar o primeiro King Kong com o último dirigido por Peter Jackson. Resolvemos deixar empatados e não colocar nos autos este embate.
O filme: O espetacular Homem-Aranha é melhor do que o terceiro da série do Sam Raime, é tão bom quanto o primeiro da trilogia, mas, perde para o segundo. Com certeza vale o ingresso, o Aranha está hilário, assim como ele tem que ser. As cenas de ação foram muito bem construídas e o roteiro, apesar de não apresentar nada espetacular, como o nome do filme sugere, convence alguns fãs, mas, em uma avaliação desprovida de qualquer sentimento de saudosismo ou partidarismo em relação ao antigo diretor, eu ainda ficaria com o Homem-Aranha 2 como a melhor adaptação já feita do herói mais emblemático da Marvel.  




Batman - O Retorno do Cavaleiro das Trevas

   Na primeira matéria desse Blog, nós desafiamos os especialistas e apreciadores de cinema e quadrinhos de plantão a analisarem quais as melhores adaptações de quadrinhos de todos os tempos. Entre algumas estatuetas arrebatadas pelo herói criado por Bob Kane, como por exemplo, melhor Vilão já encarnado (o Coringa de Ledger), o herói sombrio também ficou merecidamente com o primeiro lugar na categoria melhor franquia, e isso porque ainda não tinha nem acabado a trilogia.
   Nesta épica conclusão do Batman de Christopher Nolan, prepare-se para grandes surpresas que ora vai fazer brotar lágrimas nos seus olhos e ora vai escancarar sua boca pelas inusitadas surpresas que ele deixou para revelar neste longa.
   Como não gosto de estragar a alegria de ninguém, vou deixar sua imaginação trabalhar enquanto falo que mais do que nunca, nenhum personagem teve uma trilogia tão consistente quanto o Batman de Nolan. Desde o Begins a série já prometia, levando-nos a conhecer a origem do homem-morcego após a morte trágica de seus pais durante a terrível crise econômica na decadente Gotham e do seu treinamento secreto no covil da Liga das Sombras.
   Em 2008 fomos apresentados à mente mais doentia que o cinema jamais concebeu, com a interpretação que-daquele-jeito-nunca-mais-outra-vez do saudoso Heath Ledger, com direito a oscar póstumo e tudo mais. No Retorno, Wayne está aposentado e fora de forma. A polícia, juntamente com todo o resto da cidade continua a crer que o Morcego foi o responsável pelas mortes dos policiais assassinados pelo Duras-Caras e velas continuam sendo acessas em memória ao Cavaleiro Branco de Gotham, Harvey Dent. Mal sabe o bilionário recluso que sua amada cidade está às portas de sofrer o maior atentado da sua história e talvez não sobre pedra sobre pedra depois de passar pelas mãos de Bane e sua irmandade.
   Ainda para completar, como se o filme por si só já não fosse bom o suficiente, Nolan encerra esta sobremesa com uma deliciosa cereja em cima do bolo;  a presença da gata Anne Hathaway como Selina Kyle, a ladra encarregada em adquirir as digitais de Bruce Wayne e que vez ou outra, durante a projeção, parabeniza-nos demonstrando variações de sua personalidade como somente os felinos conseguem fazer: ronronando para extrair alguma migalha de seus patrões e rasgando impiedosamente os que tentam atacá-la. Vêem esse colar de pérolas no pescoço da graciosa? Pertencia à mãe de Wayne.
    Se existe algo que o diretor tentou adaptar magistralmente da inigualável série de quadrinhos escrita nos anos oitenta pelo gênio indominável de Frank Miller, foi o clima apocalíptico do último número do Cavaleiro das Trevas, com facções de gangues se digladiando, marginais soltos e indo à desforra nas ruas de Gotham e uma tensão atômica prestes a por um fim definitivo na cidade. Nos dois outros filmes, se você se lembra, Nolan tentou sugar esta essência da obra de Miller, com a escapulida dos esquizofrênicos do Arkham no Begins, e com as balsas prestes a serem detonadas pelas mãos do Coringa no finalzinho do dois. Nesta conclusão, mais do que nunca, o clima de que o fim está próxima paira constantemente no ar, a quadrilha de Bane consegue neutralizar o Batman e toda a força policial da cidade e ainda coloca uma bomba escondida no centro de Gotham ameaçando jogar tudo pelos ares caso a polícia do resto do estado tente intervir.  
   Em uma palavra o  filme é excelente, principalmente se você não for assisti-lo esperando uma cópia do anterior Cavaleiro das Trevas. Nesta película, não há espaço para nenhum personagem se sobressair em relação aos demais, nem qualquer interpretação que venha a ofuscar o caprichado roteiro. O filme consegue como poucas vezes já se viu, dosar perfeitamente a aparição dos astros em consonância ao desenrolar da trama. Parabéns Nolan, se posso dizer alguma coisa em relação ao seu trabalho é: obrigado e, um conselho para quem ainda vai assisti-lo: não leia muita coisa sobre o filme (como é?), isso mesmo, aguarde, como um noivo ansioso deve privar-se de curiar pelo buraco da fechadura a esposa colocando o véu, sugiro que você também não corra muito atrás de resenhas do filme... espere, veja-o completamente desarmado e, como em todo casamento, não esqueça de levar o lenço.