Você sabe a qual dos dois grupos pertence?
Na verdade, um colecionador sempre será um bom leitor, mas o contrário nem sempre acontece.
O leitor, puro e simplesmente, é aquele que tem interesse por quadrinhos e até lê avidamente tudo que aparece pela frente:
As revistas mensais regulares, aquelas que o jornaleiro deixa de bobeira em cima do tablado e as revistas das coleções dos seus amigos (principalmente as revistas das coleções dos seus amigos).
O leitor não suporta esperar pelo final daquela história que está demorando muito para ser publicada por aqui, então, ele corre para a internet e afunda desesperadamente os dedos sobre as teclas do computador e acessa uma página do scan. Depois de saciado, ele vira para o lado e dorme. "Até que o final foi chato" pensa.
O leitor não suporta esperar pelo final daquela história que está demorando muito para ser publicada por aqui, então, ele corre para a internet e afunda desesperadamente os dedos sobre as teclas do computador e acessa uma página do scan. Depois de saciado, ele vira para o lado e dorme. "Até que o final foi chato" pensa.
O leitor quando traz para casa aquela revista rara do seu amigo que fez de tudo para não lhe emprestar por saber da sua falta de zelo, trata a revista como se fosse o jornal do dia. Devora as partes que lhe interessam e como se trata de um mero jornal, perde completamente o valor depois de lido. Eu vou deixá-la aqui mesmo sobre a mesa da cozinha da mamãe.
Oura coisa que o leitor também gosta muito de fazer é dobrar as pontas superiores das páginas, isso mesmo, criando orelhas na revista para poder marcar onde ele parou de ler da última vez, para quando voltar do trabalho ou da escola, retomar a leitura sem muito esforço e não precisar perder tempo, folheando tooooda a revista novamente para ver se consegue lembrar onde parou.
E quando o leitor se encontra dividido entre duas de suas necessidades básicas? Ler e Comer? Ao invés de descansar um pouco e sentar-se à mesa para nutrir o seu corpo debilitado e só depois, calmamente, após escorvar devidamente os dentes, reiniciar sua leitura, sabe o que ele faz? Simplesmente come e lê ao mesmo tempo! É isso mesmo! E vai lendo e passando as páginas branquinhas da revista com sua mão cheia de gordura de frango!
O leitor, meus amigos, para completarmos esta nossa introdução, não está nem um pouco preocupado com o estado de conservação de uma revista, pois às vezes, ele até faz a lista de contas do mês na capa traseira daquele seu raro exemplar.
Por isso, como sei que estou tratando com um colecionador, se não você já teria fechado este informativo há mais tempo, quero convidá-lo para discutirmos alguns motivos que levam uma revista igual às outras tornar-se rara da noite para o dia.
Por isso, como sei que estou tratando com um colecionador, se não você já teria fechado este informativo há mais tempo, quero convidá-lo para discutirmos alguns motivos que levam uma revista igual às outras tornar-se rara da noite para o dia.
Na verdade, nenhuma revista rara tornou-se rara da noite para o dia.
A Action Comics # 01, por exemplo, é rara por vários aspectos:
Primeiro, ela marca a estréia do Superman no mundo dos vivos, e mais do que isso, deu o pontapé inicial para um mercado que hoje movimento milhões em todo o mundo, desde os quadrinhos impressos, passando pelos produtos licenciados até chegar finalmente a Hollywood!
Segundo, a Action Comics # 01 foi lançada em novembro de 1938 e, como veremos, uma revista rara não receberia a alcunha se não tivesse na bagagem uma longa data de publicação. E agora lá vai o quesito que talvez seja o mais importante de todos, existem pouquíssimos exemplares dela circulando por aí, talvez menos de cem em todo o planeta terra. Não é à toa que um exemplar bem conservado da Action esteja valendo míseros 3 milhões de dólares.
Mas, por incrível que pareça, esta matéria não pretende listar os dez quadrinhos mais valiosos do mundo. até porque você provavelmente já sabe e também não tem planos de adquirir nenhum deles este ano. Conhece aquela pessoa que passa a vida esperando pelas novidades do salão do automóvel internacional e fica sonhando com Ferrari, Porsch e Mercedes? Pois é, não é disso que eu quero falar.
Mas, se você comprou quadrinhos Marvel e DC publicados pela Editora Abril entre 79 e 89, prepare-se para a nostalgia, pois nós iremos refletir a respeito de alguns tópicos que possivelmente tornam uma revista rara.
01. Longa data de publicação.
Antes de mais nada, uma revista é considerada rara quando sua data de publicação ultrapassa pelo menos duas décadas e meia.
Creio que você deve concordar comigo, um longo tempo contado do primeiro mês em que uma edição foi às bancas até os dias de hoje é um forte indicador para torná-la rara e preciosa entre os colecionadores.
A revista mais antiga da fase Marvel-Abril é a saudosa Capitão América # 01, publicada em junho de 1979. Até o momento em que esta matéria foi fechada, apenas 107 brasileiros possuíam a número um do Capitão América, isto segundo o site Guia dos Quadrinhos em um universo de mais de 3800 colecionadores cadastrados. Certamente, este número deve ser maior.
Esta publicação marcou uma geração de apreciadores do fantástico universo Marvel que até então acompanhava as publicações através das píoneiras RGE, Bloch e da competente Ebal.
A marca deixada por esta revista é tão emblemática que se você abrir a boca para declarar entre colecionadores que possui a número 01 do Capitão América, curiosamente, todos vão achar que você está se referindo a este exemplar e não a um outro número 01 do herói lançado anterior ou posteriormente, como a Capitão América # 01 da Bloch, por exemplo.
Em rodas de amigos, se você quiser frisar que adquiriu algum número da coleção do Capitão América que não seja da coleção Marvel-Abril, você deve ser o mais específico possível e falar: "Comprei a Capitão América # 05 da Bloch", pois se você comentar apenas que adquiriu a número # 05 do Capitão, todos vão acreditar que você está falando da edição de outubro de 1979 publicada pela editora Abril.
Aproveito o ensejo e ouso dizer que esta regra se aplica a qualquer outra revista lançada pelo selo Marvel-Abril principalmente entre os colecionadores de 30 a 40 anos de idade.
Mas, espere um momento, se a Capitão 01 da Bloch é de fevereiro de 1975, e a edição da Abril é de 1979, existem aí quatro anos separando as duas revistas! E por esta regra que estamos discutindo, a edição da Bloch deveria ser primícia entre os colecionadores! Mas isto não acontece.
E quer saber mais?
A Capitão # 01 da Abril, em excelente estado de conservação, não pode ser adquirida por menos de cem reais no mercado de ações, enquanto que antigos colecionadores suam para vender o seu exemplar da Bloch por algo entre 30 e 50 reais (dados estes constatados ao longo de mais de oito anos de observação no Mercado Livre).
Admirado?
Não é tão difícil de entender, pois presume-se que os colecionadores brasileiros mais antigos (aqueles da era Bloch) já estejam estabilizados e satisfeitos com suas coleções pessoais e as outras poucas revistas que sobraram desta época simplesmente não atraem o interesse dos outros colecionadores de uma outra geração.
Está complicando mais ainda?
Na verdade, isto também é bem aceitável e compreensível. A geração que começou a ler quadrinhos através das publicações da editora do Sr. Victor Civita, em 1979, não tem tanta euforia por edições mais antigas lançadas por outras editoras por não representarem seu período de iniciação nos quadrinhos e nem mexerem com sua nostalgia. E como você sabe, os colecionadores costumam ser fiéis às primeiras revistas que repousaram em suas mãos, estendendo-se ao máximo, aos outros números relacionados àquela coleção específica.
Ou seja, um colecionador que tenha iniciado sua paixão através da Superaventuras Marvel # 13, por exemplo, vai ter muita vontade de possuir as aventuras do demolidor que foram publicadas nesta revista e salvo um ou outro, vai despertar curiosidades também pelas histórias do personagem publicadas por editoras anteriores ao seu tempo.
No Brasil, diferente dos EUA, nunca houve uma editora que se mantivesse no topo por décadas publicando um personagem específico numa série regular e mensal por muito tempo(como Amazing Spider-Man que é publicada regularmente pela Marvel Comics desde 1962 até hoje). Por causa disto, os colecionadores daqui não se tornaram seguidores fiéis dos heróis, ele preferiram colecionar a revista ao invés do personagem, dando uma grande importância às publicações do seu tempo porque elas refletiam sua época e período particular de familiarização.
Para não restar nenhuma dúvida acerca desta questão, vamos a um último exemplo: Se você nascesse na terra do Tio Sam nos anos noventa, iria conhecer o Homem-Aranha através da edição que estivesse nas bancas naquele período, ou seja, o número 400 da Amazing Spider-Man, sei lá. E se você repentinamente desejasse completar toda a coleção do cabeça de teia, estaria a partir daquele instante compromissado a adquirir todos os números anteriormente publicados (o que te custaria uma nota!) e somente então seria um colecionador feliz e realizado.
Aqui no Brasil, é bem diferente. Cada colecionador parece satisfeito com as edições que tem. Salvo alguns colegas que não se prendem a editoras e sim aos personagens mesmo. Estes não descansam até adquirirem tudo o que foi publicado sobre o seu herói preferido até os dias de hoje. Se formos usar o Homem-Aranha como referência novamente, este último colecionador mais antenado só irá considerar a coleção completa do aracnídeo, se você conseguir mostrar todas as 70 edições da Ebal, as 49 da RGE, as 205 da Abril e as 122 (por enquanto) da Panini. Sem falar nos especiais e mini-séries lançadas por estas editoras ao longo de mais de quarenta anos de publicação.
Sem dúvida, anos e anos da data de publicação é um forte indicador para tornar uma revista rara, até porque este mérito significar dizer que haverá pouquíssimos exemplares desta revista circulando por aí.
02. O Estigma da número UM.

Não há como dizer que o número um de uma coleção seja uma revista igual às outras. Os colecionadores mais do que ninguém sabem o que isto significa e respeitam bastante isso.
Pela Editora Abril, temos vários exemplos de revistas números um que mexem e muito com o emocional do fandom, com especial destaque para Heróis da Tv # 01. Isto porque Heróis da TV sem nenhuma dúvida é a coleção preferida da maioria dos colecionadores da era Marvel-Abril e como qualquer número 01 de uma coleção por si só já é bastante valorizada, imagine quando estamos falando daquela revista que deu origem às demais da sua coleção.
Outro número 01 bastante disputado e raro no mundo dos colecionadores é a Homem-Aranha # 01 de julho de 1983. Ela é tão querida e procurada que hoje chega a subjugar várias publicações mais antigas do herói, como a própria Homem-Aranha # 01 da RGE de fevereiro de 1979.
E não pense você que este raro exemplar do escalador de paredes deixa para trás somente publicações mais antigas de outras editoras, não. Pela própria Editora Abril ele faz comer poeira a antológica Superaventuras Marvel # 01 de julho de 1982, outra relíquia muito apreciada no meio da galera.
Acredita-se que este fascínio provocado pela Aranha # 01 se deva bastante ao fato do cabeça de teia ser o herói preferido de dez entre dez colecionadores em todo o mundo e ainda se tratando desta revista em particular, ela traz as primeiras figurinhas de um álbum que foi publicado pela Abril naquele ano. Então, quem possuir a Homem-Aranha # 01 completinha, com as figurinhas ainda intactas na primeira página da revista, está de muitíssimo parabéns, pois esta simples diferença de outras revistas que tiveram as figurinhas arrancadas a valoriza em pelo menos cem por cento entre os colecionadores mais exigentes.
03. Um acidente de percurso
Raro é aquilo que é difícil de encontrar. E entre todos os quesitos que tornam uma revista rara o mais importante sem nenhuma sombra de dúvida é justamente o fato de haver poucas edições à disposição dos colecionadores.
E isto é bem interessante, pois poderíamos catalogar vários aspectos que poderiam transformar uma revista numa relíquia inestimável.
Primeiro, se ela traz uma história muito legal, com desenhos espetaculares e representa o começo ou o final de uma saga importantíssima para o universo HQ, o fandom vai segurá-la até as últimas consequências, ninguém vai querer se desfazer do seu exemplar e aquele colega que perdeu a oportunidade de adquirir a sua na época da publicação vai sofrer um bocado para conseguir encontrá-la, principalmente em bom estado de conservação. Sim, porque outras pessoas sem maiores compromissos com o que é colecionável e que a tenham comprado na banca no mês de lançamento, simplesmente perderam o interesse por ela após lida e acabaram se desfazendo da pobre coitada em algum sebo depois de a terem usado como papel de rascunho (lembra do leitor? Arghhh!)
O inverso também se aplica. Pois aquela revista que trouxe desenhos simplesmente desprezíveis e histórias tão chulas que te fizeram dormir na primeira página, pouco foram adquiridas na época da publicação, ficaram encalhadas nas bancas e depois de um tempo retornaram para a editora e se transformaram em papel picado. Após algum tempo, depois de superado o pesadelo, você decide dar uma segunda chance para a coitada e parte atrás dela nas bancas de usadas. Só aí você se dá conta de que aquela terrível edição se transformara numa pedra preciosa, ninguém tem para trocar ou vender. Você agora é vítima da sua própria atitude em repudiar aquela injustiçada edição.
E quebrando um pouco o protocolo, já que estamos falando exclusivamente das edições Marvel-Abril, eu traio minha própria decisão e abro um espaço para citar uma edição da RGE que notoriamente é uma revista rara de ser encontrada. E o motivo tem uma explicação que se enquadra muito bem neste tópico que estamos discutindo. Trata-se da Hulk # 22 da RGE. Ela traz a primeira aparição do Wolverine no Brasil, e é uma revista dificílima de ser encontrar nos mercados ou gibitecas por aí afora. Sabe por quê? Ora, quem coleciona o Hulk vai querer tê-la, quem gosta dos X-Men ou Wolverine, também e os colecionadores de qualquer outra espécie não vão querer deixar passar em branco a estréia de um personagem tão querido como o baixinho invocado.
Se você a tem guardada, saiba que ela vale mais do que a própria número 01 do Hulk, e aí tanto faz se for a da Abril, bloch, RGE ou Panini.
E por último, um inesperado acidente de percurso também pode decretar que aquela ou outra revista se torne tão difícil de ser encontrada quanto uma lágrima de sereia.
E é a respeito deste tópico em especial que eu gostaria de encerrar nossa matéria contando uma história bem interessante que aconteceu na minha cidade.
Na época em que acompanhávamos as maravilhas da Abril mês a mês nas bancas, em meado dos anos oitenta, aconteceu um fato inusitado envolvendo a SAM # 43.
Dentro da minha turma de amigos, naquela época, a coleção mais badalada não era Heróis da TV coisa nenhuma, a gente vibrava mesmo era com as aventuras dos X-Men de Claremont & Byrne, transpirávamos litros de suor com as aventuras de Conan, e babávamos com o Demolidor de Frank Miller.
Acho que consegui fazer você entender por que o dia 09 de cada mês era extremamente importante para qualquer colecionador nesta singela cidade do interior do Ceará.
Para quem não sabe ou não se lembra, a SAM chegava às bancas de todo país no nono dia de cada mês, claro que às vezes (quase sempre) ela atrasava.
Mas, aí era só tomar uns copos de suco de maracujá e aguardar desesperado pelo carro dos correios que mais cedo ou mais tarde sempre acabava aparecendo. Foi justamente este detalhe super-importante que mudou para sempre a história da SAM # 43 na minha terrinha.
Sem maiores explicações, o caminhão que transportava esta preciosa publicação da capital até nossa cidade pegou um temporal no meio do caminho e creio eu que havia alguns vazamentos no baú do veículo (como pode isso?) e aí você já deve imaginar o que aconteceu. Isto mesmo, boa parte da carga, não somente a nossa esperada SAM, foi totalmente estragada pelo efeito da chuva e nenhuma revista, digo, nenhumazinha mesmo se salvou para contar história.
Naquele mês, os colecionadores de Superaventuras Marvel ficaram sem o número 43 de sua coleção. Imagine-se em um tempo sem internet, sem nenhum meio de comunicação com outros colecionadores de outras cidades e sem nenhuma esperança de um dia se quer poder colocar as mãos naquele exemplar não apenas raro, mas que literalmente não existia, pelo menos ao seu alcance?
Anos depois, quando alguém de outra cidade passava pela nossa terra e trazia na bagagem uma edição de SAM 43, causava estardalhaço. E quando esta pessoa não sabia nada a respeito do ocorrido, não tinha noção da relíquia que transportava, o pessoal suava, tremia e fazia de tudo para não dar bobeira e a pessoa não perceber que estava de posse de uma jóia rara e extremamente preciosa.
Hoje eu me lembro que naquela época poucos conseguiram obtê-la. Alguns afortunados ainda chegaram até a folheá-la uma vez ou outra, outros,coitados, morreram sem nunca terem visto a sua bela capa (este último é brincadeira, só para enfatizar o suspense).
Mas não fique aí rindo não... talvez isto um dia venha a acontecer com você.
Até daqui a pouco.
Daniel Rand.
A Action Comics # 01, por exemplo, é rara por vários aspectos:
Primeiro, ela marca a estréia do Superman no mundo dos vivos, e mais do que isso, deu o pontapé inicial para um mercado que hoje movimento milhões em todo o mundo, desde os quadrinhos impressos, passando pelos produtos licenciados até chegar finalmente a Hollywood!
Segundo, a Action Comics # 01 foi lançada em novembro de 1938 e, como veremos, uma revista rara não receberia a alcunha se não tivesse na bagagem uma longa data de publicação. E agora lá vai o quesito que talvez seja o mais importante de todos, existem pouquíssimos exemplares dela circulando por aí, talvez menos de cem em todo o planeta terra. Não é à toa que um exemplar bem conservado da Action esteja valendo míseros 3 milhões de dólares.
Mas, por incrível que pareça, esta matéria não pretende listar os dez quadrinhos mais valiosos do mundo. até porque você provavelmente já sabe e também não tem planos de adquirir nenhum deles este ano. Conhece aquela pessoa que passa a vida esperando pelas novidades do salão do automóvel internacional e fica sonhando com Ferrari, Porsch e Mercedes? Pois é, não é disso que eu quero falar.
Mas, se você comprou quadrinhos Marvel e DC publicados pela Editora Abril entre 79 e 89, prepare-se para a nostalgia, pois nós iremos refletir a respeito de alguns tópicos que possivelmente tornam uma revista rara.
01. Longa data de publicação.Antes de mais nada, uma revista é considerada rara quando sua data de publicação ultrapassa pelo menos duas décadas e meia.
Creio que você deve concordar comigo, um longo tempo contado do primeiro mês em que uma edição foi às bancas até os dias de hoje é um forte indicador para torná-la rara e preciosa entre os colecionadores.
A revista mais antiga da fase Marvel-Abril é a saudosa Capitão América # 01, publicada em junho de 1979. Até o momento em que esta matéria foi fechada, apenas 107 brasileiros possuíam a número um do Capitão América, isto segundo o site Guia dos Quadrinhos em um universo de mais de 3800 colecionadores cadastrados. Certamente, este número deve ser maior.
Esta publicação marcou uma geração de apreciadores do fantástico universo Marvel que até então acompanhava as publicações através das píoneiras RGE, Bloch e da competente Ebal.
A marca deixada por esta revista é tão emblemática que se você abrir a boca para declarar entre colecionadores que possui a número 01 do Capitão América, curiosamente, todos vão achar que você está se referindo a este exemplar e não a um outro número 01 do herói lançado anterior ou posteriormente, como a Capitão América # 01 da Bloch, por exemplo.
Em rodas de amigos, se você quiser frisar que adquiriu algum número da coleção do Capitão América que não seja da coleção Marvel-Abril, você deve ser o mais específico possível e falar: "Comprei a Capitão América # 05 da Bloch", pois se você comentar apenas que adquiriu a número # 05 do Capitão, todos vão acreditar que você está falando da edição de outubro de 1979 publicada pela editora Abril.
Aproveito o ensejo e ouso dizer que esta regra se aplica a qualquer outra revista lançada pelo selo Marvel-Abril principalmente entre os colecionadores de 30 a 40 anos de idade.
Mas, espere um momento, se a Capitão 01 da Bloch é de fevereiro de 1975, e a edição da Abril é de 1979, existem aí quatro anos separando as duas revistas! E por esta regra que estamos discutindo, a edição da Bloch deveria ser primícia entre os colecionadores! Mas isto não acontece.
E quer saber mais?
A Capitão # 01 da Abril, em excelente estado de conservação, não pode ser adquirida por menos de cem reais no mercado de ações, enquanto que antigos colecionadores suam para vender o seu exemplar da Bloch por algo entre 30 e 50 reais (dados estes constatados ao longo de mais de oito anos de observação no Mercado Livre).
Admirado?
Não é tão difícil de entender, pois presume-se que os colecionadores brasileiros mais antigos (aqueles da era Bloch) já estejam estabilizados e satisfeitos com suas coleções pessoais e as outras poucas revistas que sobraram desta época simplesmente não atraem o interesse dos outros colecionadores de uma outra geração.
Está complicando mais ainda?
Na verdade, isto também é bem aceitável e compreensível. A geração que começou a ler quadrinhos através das publicações da editora do Sr. Victor Civita, em 1979, não tem tanta euforia por edições mais antigas lançadas por outras editoras por não representarem seu período de iniciação nos quadrinhos e nem mexerem com sua nostalgia. E como você sabe, os colecionadores costumam ser fiéis às primeiras revistas que repousaram em suas mãos, estendendo-se ao máximo, aos outros números relacionados àquela coleção específica.
Ou seja, um colecionador que tenha iniciado sua paixão através da Superaventuras Marvel # 13, por exemplo, vai ter muita vontade de possuir as aventuras do demolidor que foram publicadas nesta revista e salvo um ou outro, vai despertar curiosidades também pelas histórias do personagem publicadas por editoras anteriores ao seu tempo.
No Brasil, diferente dos EUA, nunca houve uma editora que se mantivesse no topo por décadas publicando um personagem específico numa série regular e mensal por muito tempo(como Amazing Spider-Man que é publicada regularmente pela Marvel Comics desde 1962 até hoje). Por causa disto, os colecionadores daqui não se tornaram seguidores fiéis dos heróis, ele preferiram colecionar a revista ao invés do personagem, dando uma grande importância às publicações do seu tempo porque elas refletiam sua época e período particular de familiarização.
Para não restar nenhuma dúvida acerca desta questão, vamos a um último exemplo: Se você nascesse na terra do Tio Sam nos anos noventa, iria conhecer o Homem-Aranha através da edição que estivesse nas bancas naquele período, ou seja, o número 400 da Amazing Spider-Man, sei lá. E se você repentinamente desejasse completar toda a coleção do cabeça de teia, estaria a partir daquele instante compromissado a adquirir todos os números anteriormente publicados (o que te custaria uma nota!) e somente então seria um colecionador feliz e realizado.
Aqui no Brasil, é bem diferente. Cada colecionador parece satisfeito com as edições que tem. Salvo alguns colegas que não se prendem a editoras e sim aos personagens mesmo. Estes não descansam até adquirirem tudo o que foi publicado sobre o seu herói preferido até os dias de hoje. Se formos usar o Homem-Aranha como referência novamente, este último colecionador mais antenado só irá considerar a coleção completa do aracnídeo, se você conseguir mostrar todas as 70 edições da Ebal, as 49 da RGE, as 205 da Abril e as 122 (por enquanto) da Panini. Sem falar nos especiais e mini-séries lançadas por estas editoras ao longo de mais de quarenta anos de publicação.
Sem dúvida, anos e anos da data de publicação é um forte indicador para tornar uma revista rara, até porque este mérito significar dizer que haverá pouquíssimos exemplares desta revista circulando por aí.
02. O Estigma da número UM.

Não há como dizer que o número um de uma coleção seja uma revista igual às outras. Os colecionadores mais do que ninguém sabem o que isto significa e respeitam bastante isso.
Pela Editora Abril, temos vários exemplos de revistas números um que mexem e muito com o emocional do fandom, com especial destaque para Heróis da Tv # 01. Isto porque Heróis da TV sem nenhuma dúvida é a coleção preferida da maioria dos colecionadores da era Marvel-Abril e como qualquer número 01 de uma coleção por si só já é bastante valorizada, imagine quando estamos falando daquela revista que deu origem às demais da sua coleção.
Outro número 01 bastante disputado e raro no mundo dos colecionadores é a Homem-Aranha # 01 de julho de 1983. Ela é tão querida e procurada que hoje chega a subjugar várias publicações mais antigas do herói, como a própria Homem-Aranha # 01 da RGE de fevereiro de 1979.
E não pense você que este raro exemplar do escalador de paredes deixa para trás somente publicações mais antigas de outras editoras, não. Pela própria Editora Abril ele faz comer poeira a antológica Superaventuras Marvel # 01 de julho de 1982, outra relíquia muito apreciada no meio da galera.
Acredita-se que este fascínio provocado pela Aranha # 01 se deva bastante ao fato do cabeça de teia ser o herói preferido de dez entre dez colecionadores em todo o mundo e ainda se tratando desta revista em particular, ela traz as primeiras figurinhas de um álbum que foi publicado pela Abril naquele ano. Então, quem possuir a Homem-Aranha # 01 completinha, com as figurinhas ainda intactas na primeira página da revista, está de muitíssimo parabéns, pois esta simples diferença de outras revistas que tiveram as figurinhas arrancadas a valoriza em pelo menos cem por cento entre os colecionadores mais exigentes.
03. Um acidente de percurso
Raro é aquilo que é difícil de encontrar. E entre todos os quesitos que tornam uma revista rara o mais importante sem nenhuma sombra de dúvida é justamente o fato de haver poucas edições à disposição dos colecionadores.
E isto é bem interessante, pois poderíamos catalogar vários aspectos que poderiam transformar uma revista numa relíquia inestimável.
Primeiro, se ela traz uma história muito legal, com desenhos espetaculares e representa o começo ou o final de uma saga importantíssima para o universo HQ, o fandom vai segurá-la até as últimas consequências, ninguém vai querer se desfazer do seu exemplar e aquele colega que perdeu a oportunidade de adquirir a sua na época da publicação vai sofrer um bocado para conseguir encontrá-la, principalmente em bom estado de conservação. Sim, porque outras pessoas sem maiores compromissos com o que é colecionável e que a tenham comprado na banca no mês de lançamento, simplesmente perderam o interesse por ela após lida e acabaram se desfazendo da pobre coitada em algum sebo depois de a terem usado como papel de rascunho (lembra do leitor? Arghhh!)
O inverso também se aplica. Pois aquela revista que trouxe desenhos simplesmente desprezíveis e histórias tão chulas que te fizeram dormir na primeira página, pouco foram adquiridas na época da publicação, ficaram encalhadas nas bancas e depois de um tempo retornaram para a editora e se transformaram em papel picado. Após algum tempo, depois de superado o pesadelo, você decide dar uma segunda chance para a coitada e parte atrás dela nas bancas de usadas. Só aí você se dá conta de que aquela terrível edição se transformara numa pedra preciosa, ninguém tem para trocar ou vender. Você agora é vítima da sua própria atitude em repudiar aquela injustiçada edição.
E quebrando um pouco o protocolo, já que estamos falando exclusivamente das edições Marvel-Abril, eu traio minha própria decisão e abro um espaço para citar uma edição da RGE que notoriamente é uma revista rara de ser encontrada. E o motivo tem uma explicação que se enquadra muito bem neste tópico que estamos discutindo. Trata-se da Hulk # 22 da RGE. Ela traz a primeira aparição do Wolverine no Brasil, e é uma revista dificílima de ser encontrar nos mercados ou gibitecas por aí afora. Sabe por quê? Ora, quem coleciona o Hulk vai querer tê-la, quem gosta dos X-Men ou Wolverine, também e os colecionadores de qualquer outra espécie não vão querer deixar passar em branco a estréia de um personagem tão querido como o baixinho invocado.Se você a tem guardada, saiba que ela vale mais do que a própria número 01 do Hulk, e aí tanto faz se for a da Abril, bloch, RGE ou Panini.
E por último, um inesperado acidente de percurso também pode decretar que aquela ou outra revista se torne tão difícil de ser encontrada quanto uma lágrima de sereia.
E é a respeito deste tópico em especial que eu gostaria de encerrar nossa matéria contando uma história bem interessante que aconteceu na minha cidade.
Na época em que acompanhávamos as maravilhas da Abril mês a mês nas bancas, em meado dos anos oitenta, aconteceu um fato inusitado envolvendo a SAM # 43.
Dentro da minha turma de amigos, naquela época, a coleção mais badalada não era Heróis da TV coisa nenhuma, a gente vibrava mesmo era com as aventuras dos X-Men de Claremont & Byrne, transpirávamos litros de suor com as aventuras de Conan, e babávamos com o Demolidor de Frank Miller.
Acho que consegui fazer você entender por que o dia 09 de cada mês era extremamente importante para qualquer colecionador nesta singela cidade do interior do Ceará.Para quem não sabe ou não se lembra, a SAM chegava às bancas de todo país no nono dia de cada mês, claro que às vezes (quase sempre) ela atrasava.
Mas, aí era só tomar uns copos de suco de maracujá e aguardar desesperado pelo carro dos correios que mais cedo ou mais tarde sempre acabava aparecendo. Foi justamente este detalhe super-importante que mudou para sempre a história da SAM # 43 na minha terrinha.
Sem maiores explicações, o caminhão que transportava esta preciosa publicação da capital até nossa cidade pegou um temporal no meio do caminho e creio eu que havia alguns vazamentos no baú do veículo (como pode isso?) e aí você já deve imaginar o que aconteceu. Isto mesmo, boa parte da carga, não somente a nossa esperada SAM, foi totalmente estragada pelo efeito da chuva e nenhuma revista, digo, nenhumazinha mesmo se salvou para contar história.
Naquele mês, os colecionadores de Superaventuras Marvel ficaram sem o número 43 de sua coleção. Imagine-se em um tempo sem internet, sem nenhum meio de comunicação com outros colecionadores de outras cidades e sem nenhuma esperança de um dia se quer poder colocar as mãos naquele exemplar não apenas raro, mas que literalmente não existia, pelo menos ao seu alcance?
Anos depois, quando alguém de outra cidade passava pela nossa terra e trazia na bagagem uma edição de SAM 43, causava estardalhaço. E quando esta pessoa não sabia nada a respeito do ocorrido, não tinha noção da relíquia que transportava, o pessoal suava, tremia e fazia de tudo para não dar bobeira e a pessoa não perceber que estava de posse de uma jóia rara e extremamente preciosa.
Hoje eu me lembro que naquela época poucos conseguiram obtê-la. Alguns afortunados ainda chegaram até a folheá-la uma vez ou outra, outros,coitados, morreram sem nunca terem visto a sua bela capa (este último é brincadeira, só para enfatizar o suspense).
Mas não fique aí rindo não... talvez isto um dia venha a acontecer com você.
Até daqui a pouco.
Daniel Rand.
Lembro-me bem deste episódio, também fui vítima, juntamente contigo e com alguns aficcionados, caro Daniel Rand, da espera desesperadora pela SAM 43. Bons tempos, pena que na época não dávamos o devido valor as revistas que passavam por nossas mãos, ou seja, talvez fóssemos apenas leitores. Mais tarde, claro, com o devido arrependimento, nos tornamos colecionadores. Um abraço, valeu.
ResponderExcluirAh, antes que esqueça, só pra constar: primeiro a comentar um artigo neste blog. Encorajo os colegas leitores a fazerem o mesmo. Afinal, a intenção é interagir.
ResponderExcluirÉ isso mesmo Welliton! Você não imagina como é legal saber que tem uma pessoa do outro lado que vivencia tudo que está escrito. Na verdade, é a maior motivação para quem escreve. Inclusive gostaria de pedir para vocês escreverem também. É só mandar para o meu e-mail que logo estará no blog.
ExcluirEstou terminando de aprontar a terceira matéria. Ela será dividida em três partes e deve se chamar 1986.
Valeu de novo Welliton.
Aqui temos a homem aranha nº 1 e algumas nº 1 várias revistinhas antigas.... qnto vale essa homem aranha nº 1?? interessados: jack_jesferreira@yahoo.com.br
ResponderExcluirBom dia, Jacqueline. Se a sua Homem-Aranha for a que está apresentada logo mais acima, vale algo em torno de 150,00 a 200,00 (caso ela esteja em boas condições). Se, além do bom estado, ela ainda se encontrar com as figurinhas que a capa anuncia, o valor pula para 250,00 a 300,00. Abraços.
ExcluirTenho uma do "THE UNCANNY X-MEN" vol.1 em que na capa está escrito "all of the x-men have fallen before the might of the hellfire club--all except one!WOLVERINE LASHES OUT! Ela está em boas condições,quanto ela está valendo daniel?
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