domingo, 19 de fevereiro de 2012

Marvel-Abril - O que torna uma revista em quadrinhos rara?

     Existem leitores e colecionadores.
    Você sabe a qual dos dois grupos pertence? 
    Na verdade, um colecionador sempre será um bom leitor, mas o contrário nem sempre acontece.
    O leitor, puro e simplesmente, é aquele que tem interesse por quadrinhos e até lê avidamente tudo que aparece pela frente:
    As revistas mensais regulares, aquelas que o jornaleiro deixa de bobeira em cima do tablado e as revistas das coleções dos seus amigos (principalmente as revistas das coleções dos seus amigos).
    O leitor não suporta esperar pelo final daquela história que está demorando muito para ser publicada por aqui, então, ele corre para a internet e afunda desesperadamente os dedos sobre as teclas do computador e acessa uma página do scan. Depois de saciado, ele vira para o lado e dorme. "Até que o final foi chato" pensa. 
    O leitor quando traz para casa aquela revista rara do seu amigo que fez de tudo para não lhe emprestar por saber da sua falta de zelo, trata a revista como se fosse o jornal do dia. Devora as partes que lhe interessam e como se trata de um mero jornal, perde completamente o valor depois de lido. Eu vou deixá-la aqui mesmo sobre a mesa da cozinha da mamãe.
     Oura coisa que o leitor também gosta muito de fazer é dobrar as pontas superiores das páginas, isso mesmo, criando orelhas na revista para poder marcar onde ele parou de ler da última vez, para quando voltar do trabalho ou da escola, retomar a leitura sem muito esforço e não precisar perder tempo, folheando tooooda a revista novamente para ver se consegue lembrar onde parou. 
     E quando o leitor se encontra dividido entre duas de suas necessidades básicas? Ler e Comer? Ao invés de descansar um pouco e sentar-se à mesa para nutrir o seu corpo debilitado e só depois, calmamente, após escorvar devidamente os dentes, reiniciar sua leitura, sabe o que ele faz? Simplesmente come e lê ao mesmo tempo! É isso mesmo! E vai lendo e passando as páginas branquinhas da revista com sua mão cheia de gordura de frango!
     O leitor, meus amigos, para completarmos esta nossa introdução, não está nem um pouco preocupado com o estado de conservação de uma revista, pois às vezes, ele até faz a lista de contas do mês na capa traseira daquele seu raro exemplar.
      Por isso, como sei que estou tratando com um colecionador, se não você já teria fechado este informativo há mais tempo, quero convidá-lo para discutirmos alguns motivos que levam uma revista igual às outras tornar-se rara da noite para o dia.

     Na verdade, nenhuma revista rara tornou-se rara da noite para o dia.
     A Action Comics # 01, por exemplo, é rara por vários aspectos:
     Primeiro, ela marca a estréia do Superman no mundo dos vivos, e mais do que isso, deu o pontapé inicial para um mercado que hoje movimento milhões em todo o mundo, desde os quadrinhos impressos, passando pelos produtos licenciados até chegar finalmente a Hollywood!
   Segundo, a Action Comics # 01 foi lançada em novembro de 1938 e, como veremos,  uma revista rara não receberia a alcunha se não tivesse na bagagem uma longa data de publicação. E agora lá vai o quesito que talvez seja o mais importante de todos, existem pouquíssimos exemplares dela circulando por aí,  talvez menos de cem em todo o planeta terra. Não é à toa que um exemplar bem conservado da Action esteja valendo míseros 3 milhões de dólares.
    Mas, por incrível que pareça, esta matéria não pretende listar os dez quadrinhos mais valiosos do mundo.  até porque você provavelmente já sabe e também não tem planos de adquirir nenhum deles este ano. Conhece aquela pessoa que passa a vida esperando pelas novidades do salão do automóvel internacional e fica sonhando com Ferrari, Porsch e Mercedes? Pois é, não é disso que eu quero falar.
   Mas, se você comprou quadrinhos Marvel e DC publicados pela Editora Abril entre 79 e 89,  prepare-se para a nostalgia, pois nós iremos refletir a respeito de alguns tópicos que possivelmente tornam uma revista rara.

01. Longa data de publicação.
   Antes de mais nada, uma revista é considerada rara quando sua data de publicação ultrapassa pelo menos duas décadas e meia.
    Creio que você deve concordar comigo, um longo tempo contado do primeiro mês em que uma edição foi às bancas até os dias de hoje é um forte indicador para torná-la rara e preciosa entre os colecionadores.
     A revista mais antiga da fase Marvel-Abril é a saudosa Capitão América # 01, publicada em junho de 1979. Até o momento em que esta matéria foi fechada, apenas 107 brasileiros possuíam a número um do Capitão América, isto segundo o site Guia dos Quadrinhos em um universo de mais de 3800 colecionadores cadastrados. Certamente, este número deve ser maior.
     Esta publicação marcou uma geração de apreciadores do fantástico universo Marvel que até então acompanhava as publicações através das píoneiras RGE, Bloch e da competente Ebal.
     A marca deixada por esta revista é tão emblemática que se você abrir a boca para declarar entre colecionadores que possui a número 01 do Capitão América, curiosamente, todos vão achar que você está se referindo a este exemplar e não a um outro número 01 do herói lançado anterior ou posteriormente, como a Capitão América # 01 da Bloch, por exemplo.
     Em rodas de amigos, se você quiser frisar que adquiriu algum número da coleção do Capitão América que não seja da coleção Marvel-Abril, você deve ser o mais específico possível e falar: "Comprei a Capitão América # 05 da Bloch", pois se você comentar apenas que adquiriu a número # 05 do Capitão, todos vão acreditar que você está falando da edição de outubro de 1979 publicada pela editora Abril.
     Aproveito o ensejo e ouso dizer que esta regra se aplica a qualquer outra revista lançada pelo selo Marvel-Abril principalmente entre os colecionadores de 30 a 40 anos de idade.
     Mas, espere um momento, se a Capitão 01 da Bloch é de fevereiro de 1975, e a edição da Abril é de 1979, existem aí quatro anos separando as duas revistas! E por esta regra que estamos discutindo, a edição da Bloch deveria ser primícia entre os colecionadores! Mas isto não acontece.
     E quer saber mais?
     A Capitão # 01 da Abril, em excelente estado de conservação, não pode ser adquirida por menos de cem reais no mercado de ações, enquanto que antigos colecionadores suam para vender o seu exemplar da Bloch por algo entre 30 e 50 reais (dados estes constatados ao longo de mais de oito anos de observação no Mercado Livre).
     Admirado?
     Não é tão difícil de entender, pois presume-se que os colecionadores brasileiros mais antigos (aqueles da era Bloch) já estejam estabilizados e satisfeitos com suas coleções pessoais e as outras poucas revistas que sobraram desta época simplesmente não atraem o interesse dos outros colecionadores de uma outra geração.
     Está complicando mais ainda?
     Na verdade, isto também é bem aceitável e compreensível. A geração que começou a ler quadrinhos através das publicações da editora do Sr. Victor Civita, em 1979, não tem tanta euforia por edições mais antigas lançadas por outras editoras por não representarem seu período de iniciação nos quadrinhos e nem mexerem com sua nostalgia. E como você sabe, os colecionadores costumam ser fiéis às primeiras revistas que repousaram em suas mãos, estendendo-se ao máximo, aos outros números relacionados àquela coleção específica.
     Ou seja, um colecionador que tenha iniciado sua paixão através da Superaventuras Marvel # 13, por exemplo, vai ter muita vontade de possuir as aventuras do demolidor que foram publicadas nesta revista e salvo um ou outro, vai despertar curiosidades também pelas histórias do personagem publicadas por editoras anteriores ao seu tempo.
      No Brasil, diferente dos EUA, nunca houve uma editora que se mantivesse no topo por décadas publicando um personagem específico numa série regular e mensal  por muito tempo(como Amazing Spider-Man que é publicada regularmente pela Marvel Comics desde 1962 até hoje). Por causa disto, os colecionadores daqui não se tornaram seguidores fiéis dos heróis, ele preferiram colecionar a revista ao invés do personagem, dando uma grande importância às publicações do seu tempo porque elas refletiam sua época e período particular de familiarização.
     Para não restar nenhuma dúvida acerca desta questão, vamos a um último exemplo: Se você nascesse na terra do Tio Sam nos anos noventa, iria conhecer o Homem-Aranha através da edição que estivesse nas bancas naquele período, ou seja, o número 400 da Amazing Spider-Man, sei lá. E se você repentinamente desejasse completar toda a coleção do cabeça de teia, estaria a partir daquele instante compromissado a adquirir todos os números anteriormente publicados (o que te custaria uma nota!) e somente então seria um colecionador feliz e realizado.
     Aqui no Brasil, é bem diferente. Cada colecionador parece satisfeito com as edições que tem. Salvo alguns colegas que não se prendem a editoras e sim aos personagens mesmo. Estes não descansam até adquirirem tudo o que foi publicado sobre o seu herói preferido até os dias de hoje. Se formos usar o Homem-Aranha como referência novamente, este último colecionador mais antenado só irá considerar a coleção completa do aracnídeo, se você conseguir mostrar todas as 70 edições da Ebal, as 49 da RGE, as 205 da Abril e as 122 (por enquanto) da Panini. Sem falar nos especiais e mini-séries lançadas por estas editoras ao longo de mais de quarenta anos de publicação.
     Sem dúvida, anos e anos da data de publicação é um forte indicador para tornar uma revista rara, até porque este mérito significar dizer que haverá pouquíssimos exemplares desta revista circulando por aí.
     
02. O Estigma da número UM.


     Não há como dizer que o número um de uma coleção seja uma revista igual às outras. Os colecionadores mais do que ninguém sabem o que isto significa e respeitam bastante isso.
     Pela Editora Abril, temos vários exemplos de revistas números um que mexem e muito com o emocional do fandom, com especial destaque para Heróis da Tv # 01. Isto porque Heróis da TV sem nenhuma dúvida é a coleção preferida da maioria dos colecionadores da era Marvel-Abril e como qualquer número 01 de uma coleção por si só já é bastante valorizada, imagine quando estamos falando daquela revista que deu origem às demais da sua coleção.
     Outro número 01 bastante disputado e raro no mundo dos colecionadores é a Homem-Aranha # 01 de julho de 1983. Ela é tão querida e procurada que hoje chega a subjugar várias publicações mais antigas do herói, como a própria Homem-Aranha # 01 da RGE de fevereiro de 1979.
     E não pense você que este raro exemplar do escalador de paredes deixa para trás somente publicações mais antigas de outras editoras, não. Pela própria Editora Abril ele faz comer poeira a antológica Superaventuras Marvel # 01 de julho de 1982, outra relíquia muito apreciada no meio da galera.
     Acredita-se que este fascínio provocado pela Aranha # 01 se deva bastante ao fato do cabeça de teia ser o herói preferido de dez entre dez colecionadores em todo o mundo e ainda se tratando desta revista em particular, ela traz as primeiras figurinhas de um álbum que foi publicado pela Abril naquele ano. Então, quem possuir a Homem-Aranha # 01 completinha, com as figurinhas ainda intactas na primeira página da revista, está de muitíssimo parabéns, pois esta simples diferença de outras revistas que tiveram as figurinhas arrancadas a valoriza em pelo menos cem por cento entre os colecionadores mais exigentes.

03. Um acidente de percurso

     Raro é aquilo que é difícil de encontrar. E entre todos os quesitos que tornam uma revista rara o mais importante sem nenhuma sombra de dúvida é justamente o fato de haver poucas edições à disposição dos colecionadores.
     E isto é bem interessante, pois poderíamos catalogar vários aspectos que poderiam transformar uma revista numa relíquia inestimável.
     Primeiro, se ela traz uma história muito legal, com desenhos espetaculares e representa o começo ou o final de uma saga importantíssima para o universo HQ, o fandom vai segurá-la até as últimas consequências, ninguém vai querer se desfazer do seu exemplar e aquele colega que perdeu a oportunidade de adquirir a sua na época da publicação vai sofrer um bocado para conseguir encontrá-la, principalmente em bom estado de conservação. Sim, porque outras pessoas sem maiores compromissos com o que é colecionável e que a tenham comprado na banca no mês de lançamento, simplesmente perderam o interesse por ela após lida e acabaram se desfazendo da pobre coitada em algum sebo depois de a terem usado como papel de rascunho (lembra do leitor? Arghhh!)
    O inverso também se aplica. Pois aquela revista que trouxe desenhos simplesmente desprezíveis e histórias tão chulas que te fizeram dormir na primeira página, pouco foram adquiridas na época da publicação, ficaram encalhadas nas bancas e depois de um tempo retornaram para a editora e se transformaram em papel picado. Após algum tempo, depois de superado o pesadelo, você decide dar uma segunda chance para a coitada e parte atrás dela nas bancas de usadas. Só aí você se dá conta de que aquela terrível edição se transformara numa pedra preciosa, ninguém tem para trocar ou vender. Você agora é vítima da sua própria atitude em repudiar aquela injustiçada edição.
     E quebrando um pouco o protocolo, já que estamos falando exclusivamente das edições Marvel-Abril, eu traio minha própria decisão e abro um espaço para citar uma edição da RGE que notoriamente é uma revista rara de ser encontrada. E o motivo tem uma explicação que se enquadra muito bem neste tópico que estamos discutindo. Trata-se da Hulk # 22 da RGE. Ela traz a primeira aparição do Wolverine no Brasil, e é uma revista dificílima de ser encontrar nos mercados ou gibitecas por aí afora. Sabe por quê? Ora, quem coleciona o Hulk vai querer tê-la, quem gosta dos X-Men ou Wolverine, também e os colecionadores de qualquer outra espécie não vão querer deixar passar em branco a estréia de um personagem tão querido como o baixinho invocado.
     Se você a tem guardada, saiba que ela vale mais do que a própria número 01 do Hulk, e aí tanto faz se for a da Abril, bloch, RGE ou Panini.
     E por último, um inesperado acidente de percurso também pode decretar que aquela ou outra revista se torne tão difícil de ser encontrada quanto uma lágrima de sereia.
     E é a respeito deste tópico em especial que eu gostaria de encerrar nossa matéria contando uma história bem interessante que aconteceu na minha cidade.
     Na época em que acompanhávamos as maravilhas da Abril mês a mês nas bancas, em meado dos anos oitenta, aconteceu um fato inusitado envolvendo a SAM # 43.
     Dentro da minha turma de amigos, naquela época, a coleção mais badalada não era Heróis da TV coisa nenhuma, a gente vibrava mesmo era com as aventuras dos X-Men de Claremont & Byrne, transpirávamos litros de suor com as aventuras de Conan, e babávamos com o Demolidor de Frank Miller.
     Acho que consegui fazer você entender por que o dia 09 de cada mês era extremamente importante para qualquer colecionador nesta singela cidade do interior do Ceará.
     Para quem não sabe ou não se lembra, a SAM chegava às bancas de todo país no nono dia de cada mês, claro que às vezes (quase sempre) ela atrasava.
     Mas, aí era só tomar uns copos de suco de maracujá e aguardar desesperado pelo carro dos correios que mais cedo ou mais tarde sempre acabava aparecendo. Foi justamente este detalhe super-importante que mudou para sempre a história da SAM # 43 na minha terrinha.
     Sem maiores explicações, o caminhão que transportava esta preciosa publicação da capital até nossa cidade pegou um temporal no meio do caminho e creio eu que havia alguns vazamentos no baú do veículo (como pode isso?) e aí você já deve imaginar o que aconteceu. Isto mesmo, boa parte da carga, não somente a nossa esperada SAM, foi totalmente estragada pelo efeito da chuva e nenhuma revista, digo, nenhumazinha mesmo se salvou para contar história.
     Naquele mês, os colecionadores de Superaventuras Marvel ficaram sem o número 43 de sua coleção. Imagine-se em um tempo sem internet, sem nenhum meio de comunicação com outros colecionadores de outras cidades e sem nenhuma esperança de um dia se quer poder colocar as mãos naquele exemplar não apenas raro, mas que literalmente não existia, pelo menos ao seu alcance?
     Anos depois, quando alguém de outra cidade passava pela nossa terra e trazia na bagagem uma edição de SAM 43, causava estardalhaço. E quando esta pessoa não sabia nada a respeito do ocorrido, não tinha noção da relíquia que transportava, o pessoal suava, tremia e fazia de tudo para não dar bobeira e a pessoa não perceber que estava de posse de uma jóia rara e extremamente preciosa.
     Hoje eu me lembro que naquela época poucos conseguiram obtê-la. Alguns afortunados ainda chegaram até a folheá-la uma vez ou outra, outros,coitados, morreram sem nunca terem visto a sua bela capa (este último é brincadeira, só para enfatizar o suspense).
      Mas não fique aí rindo não... talvez isto um dia venha a acontecer com você.

   Até daqui a pouco.

     Daniel Rand.





segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

AS MELHORES ADAPTAÇÕES DE QUADRINHOS DE TODOS OS TEMPOS

Olá pessoal,

     Sejam todos muito bem vindos à primeira nota escrita para o novíssimo Blog Liga HQ, neste memorável dia de 13 de fevereiro de 2012!
     Para iniciar, gostaria de tornar pública uma pesquisa realizada acerca de adaptações de quadrinhos para o cinema, feita com a parceria e colaboração de alguns amigos, que além de experientes leitores de quadrinhos, sabem como ninguém apreciar e reconhecer uma verdadeira obra prima do cinema.

   Filmes baseados em personagens das mais fantásticas histórias em quadrinhos têm cada vez mais preenchido as telas de Hollywood. Para você que sempre sonhou que um dia isso fosse se tornar realidade, já esperava que algumas destas adaptações corresponderíam às expectativas, ao passo de que outras não se sairiam tão bem na telona.
   Convenhamos, um bom leitor de quadrinhos nunca teve dúvidas acerca da respeitável  qualidade de roteiros que foram criados ao longo dos anos por escritores e artistas visionários que deixaram verdadeiros marcos impressos em simples papel jornal mas que se fossem levados às telas passariam tranquilos pelo crivo do mais exigente cinéfilo e se tornariam sucesso de crítica e público.
   Então, em 1978, um certo Richard Donner reuniu sua equipe e trouxe às telas Superman, o filme, abrindo em definitivo as portas do cinema para que outras produtoras ousassem abandonar o ostracismo e soprar a vida nas narinas de outros personagens de quadrinhos.
     Décadas se passaram desde então e o que nós vimos foi uma série de erros e acertos com os nossos queridos personagens.
     Não podendo mais assistir apático a estes acontecimentos e movido pelo amor à sétima e à nona arte, não conseguiríamos mais dormir sem levantar o seguinte questionamento: QUAIS AS MAIS MELHORES ADAPTAÇÕES DE QUADRINHOS DE TODOS OS TEMPOS?
     Não, não era uma tarefa fácil, mas era muito prazerosa.
     Com muito cuidado, foi elaborada uma pesquisa entre amigos, apreciadores e críticos ferrenhos que acompanham quadrinhos e cinema desde que aprenderam a soletrar o seu primeiro H de Homem-Aranha e lhes foi imposto este desafio. Convenhamos, exigir que um amante de cinema responda qual o melhor filme já feito sobre quadrinhos assim logo de cara, é muita tortura. Ele vai caguejar, titubear e vai sair de sua boca no mínimo uma meia dúzia de títulos, e ele está completamente certo. Alguns filmes foram mais fiéis ao original ao passo de que outros, após adaptados e inseridos uma gama de novidades que não se via nos quadrinhos, acabaram superando nossas expectativas e por mais incrível que pareça, nos conquistaram, pois fomos convencidos que aquelas mudanças eram realmente necessárias para o personagem tornar-se mais crível e escapulir ao rídiculo na mídia do cinema (um exemplo clássico disso seria o uniforme amarelo ovo de Wolverine).

     Outro detalhe importante, como o acervo de filmes baseados em quadrinhos é realmente muito extenso, indo de Superman a Smurfs e passando por películas que sinceramente não valem nossa atenção (como a primeira tentativa do filme do Capitão América ou o Filme do Monstro do Pântano), ou a adaptação dos Transformers que originalmente nasceu da série de brinquedos da Hasbro e só depois os fabricantes resolveram atacar também pela mídia dos quadrinhos, ou muitas vezes, filmes excelentes como Estrada para a perdição e o ótimo Marcas da Violência que também tiveram suas origens em Histórias em quadrinhos, mas, que fogem à essa pesquisa por não se identificarem especificamente como HQs de Super-heróis e aí então nossa discussão seria muito mais vasta e sem um foco definido, preferimos nos limitar aos quadrinhos que abordam o tema super ou aqueles que pelo menos se assemelham a este maravilhoso estilo, como kick Ass, por exemplo.
     Talvez, em um futuro mais próximo estejamos abrindo o devido espaço para avaliarmos meticulosamente estas outras obras em separado e quem sabe aproveitarmos para abordar as promissoras séries de televisão baseadas em quadrinhos como Smallville e Walking Dead.
     Mas não será agora.
     Com muito cuidado e respeito aos trabalhos hercúleos já desenvolvidos, resolvemos colocar todas as obras em um mesmo patamar e discutir minuciosamente quais se saíram melhor, como se fôssemos alquimistas separando cuidadosamente os ingredientes de uma preciosa fórmula.
     Falar qual o melhor filme não seria fácil, mas, se separássemos os seus componentes em categorias, talvez chegássemos a um consenso, e portanto, esta foi a metodologia escolhida.
     Resolvemos avaliar ponto a ponto de cada filme, desde o figurino adotado para os uniformes às interpretações marcantes dos heróis, vilões e atrizes. Ao invés de debatermos se o filme do Homem de Ferro era melhor do que o filme do Homem-Aranha, resolvemos analisar ambos os filmes em suas particularidades, e confrontar ator versus ator, fotografia versus fotografia, desta forma, estávamos nos arriscando a realmente nos aproximar das melhores produções já apresentadas.
     Foram então selecionadas dez categorias a serem avaliadas.

01. ATor
02. Atriz.
03. Figurino
04. Fotografia.
05. Efeitos Especiais.
06. Ator Coadjuvante.
07. Vilão.
08. Melhor Franquia.
09. Adaptação de Obra Fechada mais fiel ao original.
10. Melhor Filme de Todos os Tempos.       

    Você está convidado, a partir de agora, a ler o resultado desta pesquisa. Acomodou-se na sua poltrona e apertou bem o cinto? Então, vamos lá.
        
01. Ator

     A categoria de melhor ator trazia nomes consagrados como Arnold Schwarzenegger no papel de Conan e Christopher Reeve na pele do Homem de Aço. Completando este seleto time ainda tínhamos os carismáticos Robert Downey Junior e Hugh Jackman em interpretações marcantes que dispensam maiores comentários.
Questionamos os entrevistados acerca de qual ator tinha sido mais marcante na sua personificação individual de seu personagem. 
Para participarem, eles receberam as cédulas de votação com os candidatos listados em ordem alfabética como mostrados abaixo. 
a)      Arnold Swcharzennegger – Conan
b)      Chris Evans – Capitão América
c)      Chris Hemsworth - Thor
d)      Christopher Reeve – Superman
e)      Hugh Jackman – Wolverine
f)       Robert D. Junior – Homem de Ferro
g)      Tobey Maguire – Homem Aranha
h)      Outro, qual? __________

As categorias também ofereciam um espaço abaixo para o entrevistado sugerir outro nome que não estivesse contemplado nos pré-candidatos e então, marcar o seu voto neste ator ou atriz e etc.

Os resultados foram:

1° Lugar – Christopher Reeve (Superman) - 48% 


Lugar – Robert D. Junior (Homem de Ferro) - 23%
Lugar – Hugh Jackman (Wolverine) -15%
Lugar – Tobey Maguire (Homem-Aranha) e Hugh Weaving (V) Ambos com 7%.

A interpretação magnífica de Robert Downey Junior como o bilionário excêntrico Tony Stark e o enfurecido ator australiano Hugh Logan Jackman, não foram suficientes para apagar da memória dos fãs a encarnação do último sobrevivente de Krypton pelo ator Christopher Reeve.
Esta vitória marcante por praticamente metade de todos os votos computados confirma a difícil missão do novo ator Henry Cavill em pelo menos igualar a performance de Reeve. Justiça seja feita, para quem começou a acompanhar as aventuras de Kar El nos quadrinhos após finalzinho da década de setenta e início dos anos oitenta irá se deparar com o difícil dilema: O SUPERMAN SE PARECE COM O CHRITOPHER REEVE? OU É O CHRISTOPHER REEVE QUE SE PARECE COM O SUPERMAN? Talentosos desenhistas como Neal Adams, Garcia Lopez, John Byrne e Alex Ross  passaram a ilustrar o campeão da justiça inspirados na irrepreensível atuação do saudoso ator.
Parabéns, Christopher Reeve.

02. Atriz

A segunda categoria nos desafiou a descobrir qual atriz melhor desempenhou o seu papel, fosse como namorada do herói, vilã, ou heroína.
Os resultados foram os seguintes:

1° Lugar – Natalie Portman (Eve – V de Vingança) -38%

Lugar – Kristen Dunst (Mary Jane) - 32%
Lugar – Rebecca de Mornay (Mística)  e Michelle Pfeiffer (Mulher Gato) - Ambas com 15%

Vitória mais do que apertada da última ganhadora do Oscar sobre a ruiva Kristen Dust na pele da namorada do amigo da vizinhança.
Alguns entrevistados fizeram questão de registrar um pouco de decepção na atuação de Kristen por ela lembrar mais a frágil Gwen Stacy e não a decidida modelo Mary Jane Watson. Quando ela aparecia em cena era como se tivéssemos a alma de Gwen no corpo (quase) de Mary Jane.
Rebecca e Michelle são duas mulheres belíssimas, e não importa se estão cobertas por uma escama azul ou uma ultrapassada malha negra. Foram merecidamente lembradas pelos fãs e cada uma aproveitou para mordiscar um pedacinho do já suado troféu de Natalie.
No entanto, a comovente interpretação da atriz israelense no papel de Eve lhe garantiu seu LIGA HQ WARD, coroando os anos de 2011 e início de 2012 com uma tríplice coroa de troféus, se considerarmos juntamente sua atuação em Black Swan, que lhe valeram o Globo de Ouro e o Oscar (esses dois menos importantes que o Liga HQ, claro).

03. Figurino

Na categoria melhor figurino, tivemos impressionantes empates técnicos em todas as colocações com Homem-Aranha e Watchmen praticamente rasgando seus uniformes na briga pelo cobiçado primeiro lugar.
Batman e Homem de Ferro também se embolaram na segunda posição e Capitão América, Lanterna Verde e a tropa dos X-Men morreram abraçados no degrau mais baixo do pódio. 
Que fique declarada a beleza estupenda de todos estes uniformes apontados pelos entrevistados. O uniforme do Capitão América era um, por exemplo que antes de aparecer fez muitos fãs do herói perder noites e noites de sono, pois se tratava de algo extremamente delicado e que se não fosse produzido e levado para a telona com meticulosa atenção, correria o sério risco de beirar o ridículo completamente e afogar as recentes inspirações dos artistas Mark Millar e Bryan Hich, os responsáveis diretos pela recapitulação do líder dos vingadores na série alternativa Supremos, onde vemos um Capitão América realmente atuante e merecedor do pórtico Defensor da Liberdade.    
O resultado final para melhor figurino foi:

1° Lugar – Homem Aranha  e  Watchmen - Ambos empatados em 23%

 
Lugar – Batman – (Franquia Christopher Nolan) e Homem de Ferro - Empatados em 15%
Lugar – Capitão América  – Lanterna Verde e X-men. Todos com 8%


04.  Fotografia

A melhor Fotografia foi a de Sin City, vitória também não muito fácil, pois a película de Robert Rodriguez e Frank Miller tinha como páreo os belíssimos 300 e Watchmen, ambos do famigerado Zack Snyder.
As tomadas estonteantes dos guerreiros espartanos no campo de batalha e a cor intencionalmente vermelho-sépia, incisivas no filme em praticamente quase todas as cenas, tornaram 300 um filme inesquecível, tanto para quem aprecia quadrinhos como para quem nunca saberá que esta obra foi baseada na graphic novel homônima de Frank Miller e Lynn Valley.
Watchmen também se tornou uma referência visual para filmes adaptados do papel e nanquim. O clima obscuro predominante nas ruas de uma Nova York do futuro são enquadradas com perfeição pela lente de Snyder que calou a boca de muita gente que duvidava que um dia a obra máxima de Moore pudesse ser adaptada e igualmente ao quadrinho, ficar gravada na memória dos apreciados da nona arte.
 Mas, Robert Rodriguez praticamente se superou em trazer às telas o inigualável estilo em preto e branco de Miller. Cada cena, sem exagero, nos convida a uma total submersão e entrega à narrativa da história, apresentada a cada quadro através de uma fotografia ousada e cativante e justiça seja feita, poucas vezes vistas em filmes badalados de Hollywood que rotineiramente são empurrados para nossa sofrida apreciação.
O resultado final desta categoria foi:

1° Lugar – Sin City - 54%

2° Lugar – 300 - 38%
Lugar – Watchmen -8%

05. Efeitos especiais

As peripécias do escalador de paredes e seu fluido de teia fisiológico (essa foi difícil de aceitar), apesar de bem votados, não garantiram ao Homem-Aranha o primeiro lugar na categoria Efeitos Especiais.
Alguns entrevistados também se renderam aos efeitos digitais do monstro verde no filme O Incrível Hulk de Edward Norton, permitindo que os dois personagens de Stan Lee empatassem juntinhos na segunda colocação.
 Teve até voto em memória aos primeiros vôos de heróis no cinema de que se tem notícia (vôos convincentes, é claro), para quem não sabe, Superman, o filme, recebeu o Oscar de Melhor Efeitos Especiais em 1979.
Mas, comentários a parte, e levando-se em conta que esta pesquisa teve a singela  pretensão de catalogar nada mais nada menos do que as melhores adaptações de todos os tempos, a estatueta de Melhor Efeitos Especiais foi mesmo para a transformação emudecedora de Tony Stark colocando sua armadura do Homem de Ferro. 
Os efeitos sonoros produzidos no deslocamento do vingador dourado (como a categoria de sonorização não foi contemplada na pesquisa, entenda efeitos Visuais como qualquer maravilha artificial atribuída ao filme), seus raios propulsores e as tomadas de vôo, especialmente contra os aviões F-22 da força aérea, permitiu ao filme levar para casa a estatueta de melhores efeitos inimagináveis jamais vistos em filmes de quadrinhos adaptados para o cinema.            
Vamos à matemática dos resultados:

1° Lugar – Homem de Ferro - 46%

2° Lugar – Homem Aranha e O Incrível Hulk – Ambos com 23%
Lugar – Superman, o filme - 8%

06. Ator Coadjuvante
                 
Sam Raime praticante deu à luz a J.J Jameson entregando o personagem ao talentoso J.K Simmons.
Quem viu algum dos filmes da franquia do Homem-Aranha não deixou de se surpreender e se divertir com a incrível semelhança do ator de 57 anos com o ranzinza editor chefe do Clarim Diário.
Os demais concorrentes, Gary Oldman (Comissário Gordon), Michal Caine (Alfred) Morgan Freeman (Lúcios Fox) Staley Tucci (Dr. Abraham Erskine) e James Franco (Harry Osborn), quase todos considerados monstros da dramaturgia norte-americana,  não conseguiram equiparar forças com o velho J.J. e o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante vai para ele com todo mérito.

1° Lugar – J.K. Simmons - 86%
           2° Lugar – Gary Oldman e Stanley Tucci – Ambos empatados em 7%

E então, leitor, que tal uma pequena parada para levantar e esticar um pouco as pernas e aproveitar para pegar outro saco de pipoca? Não, nem pensar. Pois agora vamos aos concorrentes da categoria melhor vilão.

07.Vilão

E o vencedor não poderia ser outro:

1° Lugar – Heath Ledger - 92%
2° Lugar – Jack Nicholson – 8%



Quando o jovem ator recebeu a difícil missão de interpretar o pior inimigo do Batman na continuação do ótimo Batman Begins, ninguém poderia apostar que ele estaria prestes a se tornar o vilão mais assustador das histórias das adaptações de quadrinhos.
Além do mais, na franquia iniciada por Tim Burton nos anos oitenta, ninguém menos que Jack Nicholson (ganhador de um Oscar) já havia nos entregue uma memorável interpretação do palhaço assassino e após todos esses anos,  críticos e fãs do Homem morcego torciam o nariz quando imaginavam um garoto com cara de bom moço encarnando o bandido de cabelos verdes.
Na primeira cena de Dark Knight, vemos Ledger matar friamente toda sua equipe no assalto a um banco da máfia. No final desta mesma cena, a câmera nos mostra pela primeira vez um close do seu rosto assustador, mas vamos realmente ficar convencidos de estarmos presenciando uma das melhores interpretações de todos os tempos quando o vemos discutindo com Batman na sala de interrogatório ou na divertida cena do hospital durante a conversa reconciliadora com um desfigurado Harvey Dent.
Os demais concorrentes também brilharam nas suas atuações, principalmente Alfred Molina no seu papel do Dr. Octopus.
Além destes, os entrevistados ainda tinham à sua disposição o macabro Duende Verde de Willem Dafoe, o Caveira Vermelha de Hugh Weaving, Loki, o deus da trapaça de Tom Hiddleston e o lendário Lex Luthor de Gene Hackman.
Convenhamos, todos esses atores, com mínimas exceções, mereciam os nossos agradecimentos pelas suas briosas interpretações, mas, concorrer com o Coringa de Ledger chegou a ser covardia.

08. FRANQUIA

Páreo duríssimo para qualquer um dos concorrentes, pois o Homem-Aranha de Sam Raime, com exceção do último longa da franquia, é irretocável. O Homem de Ferro interpretado por Robert D. Junior é um dos melhores filmes já feitos sobre super-heróis em todos os tempos, mas novamente nos deparamos com o Batman de Christopher Nolan.
Diferente dos seus principais concorrentes, Homem-Aranha, X-Men e Homem de Ferro, que em pelo menos um dos filmes da continuação deixaram a desejar, Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas, são dois filmes praticamente perfeitos.
No Begins, a origem de Batman nos foi mostrada detalhadamente, do nascimento de um órfão amargurado, passando pelo seu treinamento junto a uma horda de assassinos até o seu amadurecimento como homem, transformando o bilionário Bruce Waney no maior combatente do crime de seu tempo. Vimos como aconteceu o início da sua cúmplice parceria com o comissário Gordon e quando acreditamos que seria impossível uma continuação a altura do primeiro longa, ficamos estupefatos com a chegada do segundo filme.
Nele, o herói fora desafiado a enfrentar a loucura de um palhaço psicopata que era, como disse Francisco, um dos colaboradores “A personificação do caos”.
Os resultados para melhor franquia foram estes:

1° Lugar –Batman - 54%

2° Lugar – Homem Aranha – 38%
3° Lugar – Homem de Ferro – 8% 

09. ADAPTAÇÃO FIEL DE OBRA FECHADA

Estamos chegando ao final da apresentação de nossa pesquisa e vamos discutir agora o resultado da penúltima categoria que aborda as adaptações mais fiéis aos originais em quadrinhos.
Depois que Robert Rodriguez e seu co-diretor Frank Miller ilustraram o que João Octávio, um dos colaboradores, chamou do quadrinho em movimento na obra cinematográfica Sin City, demais diretores viram que era uma boa ideia aproveitarem os ângulos impostos nas páginas dos comics pelos criadores das graphic novels e repetiram o mesmo enquadramento nas telonas.
O resultado foi um espetáculo que atraiu a atenção de muitos cinéfilos para o mundo dos quadrinhos, pois esta nova trupe de apreciadores não podia acreditar que aquela magnífica história vista no cinema, na verdade derivava de outra grande obra já impressa numa revista ou livro e que há tempos estivera próxima a ele esperando para ser lida numa comic shop ou livraria do bairro.
É salutar comentarmos que a grande maioria dos espectadores que foram levados ao cinema nos dias da estréia era composta quase que cem por cento de leitores ávidos e que ali ocupavam as primeiras fileiras para conferir de perto a autenticidade e fidelidade da história original.
Foi pensando nestes exigentes apreciadores que essa categoria trouxe para crivo as mais significativas compilações já adaptadas para o cinema.
Como você leu no início desta matéria, a pesquisa resumiu-se a filmes adaptados de HQs de super-heróis tão somente, com algumas exceções de obras consagradas como Sin City e 300. E o resultado foi o seguinte:

Lugar – Sin City - 62%

2° Lugar – Watchmen – 23%
3° Lugar – 300 e V de Vingança – Ambos com 7,5%

A inusitada graphic novel Kick-Ass de Mark Millar e John Romita Jr. estava entre as opções, mas não foi lembrada.
O que dizer a mais a respeito de Watchmen que ainda não foi dito? Esta obra é juntamente com o Cavaleiro das Trevas de Miller a mais conceituada história de quadrinhos já publicada no universo habitado. Ganhadora de inúmeros troféus espalhados pelos quatro cantos do mundo, inserida em cada nove de dez listas sobre histórias que não podem deixar de ser lidas antes de morrer.
No entanto, a filmografia deste épico dos quadrinhos talvez não tenha agradado tanto assim a incorruptível platéia de leitores, ou talvez, estejamos novamente nos deparando com uma situação semelhante a enfrentada pelos concorrentes de Heath Ledger no papel do Coringa. Watchmen, 300 e V de Vingnça, tinham pela frente um Barcelona da telas, o imbatível Sin City.
Se observarmos ao nosso redor, até mesmo pessoas que nunca ouviram falar que Sin City foi adaptada de uma série de histórias em quarinhos, mais cedo ou mais tarde vai soltar a seguinte exclamação quando estiver assistindo a este espetáculo noir “Este filme lembra uma história em quadrinhos, não acha?”.
Os corajosos diretores fizeram questão de trabalhar todas as cenas respeitando ao máximo a narrativa imposta nos quadrinhos. Pesquisas acerca do filme revelam que em algumas tomadas, o próprio Frank tentava modificar a fala de alguns personagens por acreditar que elas se adaptariam melhor aos diálogos dos atores, mas, estes mesmos atores eram os primeiros a refutar a ideia e insistir para que o original fosse mantido.
É isso mesmo, velho Miller, para quem acompanha seu trabalho desde o Demolidor, nunca teve dúvidas de que sua visão privilegiada de cena e, sua maestria no manuseio do jogo das sombras, um dia valeria um Oscar. Pode pegar, é todo seu.    
  
10. MELHOR ADAPTAÇÃO DE TODOS OS TEMPOS

Sem dúvida nenhuma esta foi a categoria mais difícil de escolher, e também foi a que originou toda esta pesquisa.
Perguntar a um amante de cinema e quadrinhos qual foi a melhor adaptação de todos os tempos é pura covardia, mas você já ouviu isso.
Sabendo que essa era uma tarefa praticamente impossível, pois muitos entrevistados se recusariam a dizer um único nome em detrimento de estarem cometendo alguma injustiça com aquele outro filme, tivemos a ideia de imprimir uma lista com 43 adaptações de filmes inspirados em quadrinhos onde eles teriam apenas o trabalho braçal de  atribuírem notas de 0 a 10 para cada filme independentemente dos outros.
Como a matemática não costuma apresentar furos, catalogamos todos os resultados e deixamos a calculadora fazer o resto.
O filme escolhido como a melhor adaptação de todos os tempos teria que agradar a gregos e troianos, e manter constantemente uma média bem alta para se manter no topo.
Você arriscaria dizer qual foi o filme ganhador?

1° Lugar – Batman, Dark Knight

O filme estava destinado ao sucesso desde a sua estréia nos EUA com uma bilheteria recorde de 48 milhões de dólares nas duas primeiras semanas. 
As pessoas iam ao cinema e se assustavam com a cara deformada do Coringa (diferente de Jack Nicholson, por exemplo, onde sua maquiagem era praticamente perfeita, sem borrões nem nada, a pintura no rosto do Coringa de Ledger lembrava um trabalho feito às pressas por alguém extremamente confuso e doentio) a sua boca monstruosamente dilacerada dava arrepios só de olhar, que o diga nosso querido amigo Flávio, um dos colaboradores.


O filme tem mais de duas horas de duração, mas você não sente em nenhum momento da exibição que alguma coisa ficou excedendo ou talvez aquela cena ficaria melhor sob outro enquadramento.
Os personagens coadjuvantes parecem cair como uma luva nas interpretações de Morgan Freeman,  Aaron Eckhart e do já citado anteriormente, Gary Oldman.

Particularmente, considero muito justo o prêmio de melhor filme sobre quadrinhos cair no colo de Christopher Nolan, ele conseguiu transformar uma obra baseada em histórias em quadrinhos em um fenômeno mundial, o filme continua imbatível como a oitava maior bilheteria da história do cinema e conseguiu superar a dificílima façanha de agradar a crítica e ao público.
Depois de tudo isso, só nos resta bater palmas.


Antes que eu esqueça, aqui vai a lista com o resultado final, do melhor ao pior filme já adaptado de quadrinhos para o cinema de acordo com a apreciação e notas individuais dos colaboradores.

     Percebemos que mesmo após três décadas depois, Superman o filme de 1978 ainda permanece entre as melhores adaptações de todos os tempos, mantendo um honrado terceiro lugar geral. 
    Para surpresa de alguns, X-Men II garantiu a sua vaga entre os cinco melhores filmes já feitos, superando inclusive o primeiro da série, considerado por muitos fãs dos mutantes de Charles Xavier como o melhor da franquia.
    O morcego aparece novamente na lista e muito bem colocado na quinta posição, seguido de perto pelo primeiro longa do Homem-Aranha.
     Watchmen, Homem de Ferro, 300 e o segundo Superman fecham o seleto time das dez melhores adaptações de todos os tempos.
    Antes de finalizarmos e deixar a vocês as devidas considerações, é curioso constatar que o Batman de Tim Burton aparece nesta relação à frente de recentes adaptações, como Thor,  o Incrível Hulk, a origem de Wolverine e Superman o Retorno, confirmando a teoria de que se você realmente deseja fazer algo na sua vida, faça com amor e dedicação, para que as gerações futuras também possam apreciar e admirar a sua bela obra. Que o diga Francis Ford Coppola   
    
     Gostaria honestamente de agradecer aos meus colabores, amigos e participantes desta pesquisa e deixar registrado que sem eles, nada disso teria sido possível.
     Segue abaixo a lista de nomes por ordem alfabética.

Aparecido
Antônio Filho (Martins Vídeo)
Erivan
Erivaldo
Flávio Ribeiro
Franceilton
Francisco
Frank
João Octávio
Jorge Luiz
José Welliton
Márcio Rogério
Marcos Bibiano

Até daqui a pouco,

Daniel Rand.